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Plano 15: produtores analisam execução das propostas para a agricultura

Plano de campanha divulgado em 2012 previa incentivo ao pequeno agricultor e a culturas alternativas

A reportagem da série “Plano 15” desta semana fala sobre as propostas feitas em 2012 pelo então candidato à prefeitura de Joinville Udo Döhler em relação à agricultura. No plano, a campanha destacava a importância da agricultura para o município a ponto de receber um tópico específico no documento: “o pequeno agricultor faz a diferença e merece todo respeito e incentivo governamental”.

– Apoiaremos a comercialização de produtos gerados pelos pequenos agricultores

Segundo a prefeitura de Joinville, que se manifestou por e-mail, a Secretaria de Desenvolvimento Rural presta orientação técnica aos agricultores por meio de profissionais especializados em diversas áreas. Na secretaria, segundo o executivo, existe atendimento específico para associações e cooperativas para auxiliar a comercialização dos produtos, principalmente dos programas de aquisição de alimentos pelo poder público.

Para Indalécio Sumech, presidente da Ajaar (Associação Joinvilense de Agroindústrias Artesanais Rurais), a assistência técnica prestada pela secretaria é eficiente, mas ainda falta ajuda para a comercialização dos produtos. “Em relação às agroindústrias a questão da assistência técnica está boa, mas a comercialização ainda está meio parada, principalmente para os agricultores que podem fornecer produtos para a merenda escolar e outros órgãos públicos”, avalia. Indalécio explica que falta planejamento e diálogo entre o produtor e a secretaria para pensar que produtos poderiam ser encaminhados à merenda escolar e a que preço para que o agricultor pudesse seguir um calendário.

O presidente da Ajaar também ressalta que é necessário investimento na comercialização das palmáceas, produto que se destaca em Joinville. “Um incentivo para a exportação das palmáceas seria de grande ajuda. O que se planta em Joinville ainda se vende, mas é o povo que vende sozinho. Tem feirinhas, mas ainda é muito pouco”, analisa.

– Daremos apoio logístico financeiro às festividades rurais, com divulgação dentro e fora do município

De acordo com a prefeitura de Joinville, o apoio às festividades rurais ocorre por meio da participação das instrutoras de promoção social, assistente social e demais servidores da Secretaria de Desenvolvimento Rural, com destaque para a execução de materiais para a divulgação das festas e na organização dos eventos. Durante o primeiro mandato, foram apoiadas pelas então fundações 25 de Julho, Turística e Cultural as festas do Aipim, do Arroz, da Banana, do Antúrio e Mangarito, da Polenta, do Colono e da Colheita.

– Incentivaremos culturas alternativas que aumentem a renda do produtor rural, como floricultura e plantas ornamentais

Em 2014, uma lei que incentiva a compra de produtos da floricultura pela prefeitura, de autoria do legislativo, foi sancionada. No entanto, segundo o executivo, “por problemas técnicos e administrativos não foi possível implantar o programa”. Para o produtor de flores Geovani Neitzel, a comercialização é hoje o maior gargalo do setor. “Se não caminhar com as próprias pernas, se depender do setor público, não chega a lugar nenhum”, conta.

Ele lamenta que a lei aprovada não tenha sido colocada em prática, pois vê na ação uma possibilidade de fortalecer o setor. “A prefeitura poderia comprar as flores para enfeitar lugares públicos, praças, as entradas de Joinville. O maior gargalo hoje é a comercialização. Se a prefeitura comprasse, alavancaria a produção, os produtores poderiam investir, gerar emprego e renda”, ressalta.

Geovani critica a falta de diálogo entre a secretaria e os agricultores. “Eles colocam pessoas que não são da área, que não conhecem a realidade da agricultura. Tinha que ir atrás dos produtores e ver o que eles precisam”, avalia.  “Os funcionários querem fazer melhorias, mas tem restrições e não conseguem. Tem trator parado por falta de operador”, completa Geovani.

De acordo com a prefeitura, a Secretaria de Desenvolvimento Rural implantou uma lavoura experimental de pitaya e um experimento de palmeiras nativas para a produção de palmito e incentivou a criação de abelhas sem ferrão.

Para Geovani Neitzel, prefeitura poderia comprar parte da produção de flores do município – Juliane Guerreiro/Paralelo

– Incentivaremos a modernização e atualização tecnológica do setor fortalecendo, por exemplo, a expansão da hidroponia (cultivo na água) de alimentos

Segundo a prefeitura de Joinville, o incentivo a hidroponia ocorre por meio de parceria com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) para a capacitação dos agricultores e acompanhamento das unidades instaladas.

Leandro Gonçalves, que começou a trabalhar com hidroponia neste ano, mas estuda a técnica desde 2010, conta que o único apoio que recebe são as visitas técnicas de profissionais da secretaria. “Existem prefeituras que dão os arcos, mas em Joinville não tem nada, não existe qualquer incentivo pra hidroponia”, fala. Segundo ele, o maior apoio aos produtores vem da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina).

A prefeitura de Joinville não informou de que maneira incentivou a modernização tecnológica na agricultura.

– Voltaremos a combater, com todo vigor, pragas como a do borrachudo

Segundo a prefeitura, o controle do borrachudo é administrado pela Secretaria do Meio Ambiente, enquanto a Secretaria de Desenvolvimento Rural fiscaliza os pontos de aplicação do produto de combate às larvas do borrachudo. Para o produtor de flores Geovani Neitzel, o combate às pragas tem sido eficaz no município.

Em relação ao maruim, havia, no primeiro mandato, biólogo destinado à pesquisa do inseto, e convênio com a Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu).

– Apoiaremos o produtor rural na construção de açudes para o desenvolvimento da piscicultura com o objetivo de melhorar a renda familiar

A prefeitura de Joinville destaca que durante o primeiro mandato foram realizados dois grandes eventos que reuniram cerca de 200 piscicultores do município e região, o “Dia de campo em piscicultura” e a “Rodada de Negócios em Piscicultura”. Os técnicos da secretaria ministraram conteúdo em 16 cursos profissionalizantes na área em parceria com a Epagri, além de um curso específico para controle financeiro. Também foi intensificada a assistência técnica em relação à atividade.

Além disso, uma Instrução Normativa que define a documentação necessária para o licenciamento da atividade foi publicada em 2015, pela Secretaria do Meio Ambiente, após pedido da Secretaria de Desenvolvimento Rural e da Ajaq (Associação Joinvilense de Aquicultura).

Prefeitura destaca qualidade genética dos alevinos produzidos na estação de piscicultura da secretaria – Secom/Divulgação/Paralelo

No entanto, para Euclides Paterno, presidente da Ajaq, há dificuldade para a emissão da licença ambiental em Joinvile, o que restringe as possibilidades de investimento no setor. “Para o custeio da ração não precisa, mas para entrar em um banco e conseguir financiamento para investir, para ter energia solar, precisa ter licença ambiental”, afirma. Segundo ele, há 72 piscicultores profissionais no município, além de outros que têm açude, mas não fazem da atividade a única renda.

Euclides também critica a não inserção do peixe produzido em Joinville na merenda escolar, ação que incentivaria o setor, e a produção limitada de alevinos pela secretaria. De acordo com o presidente da Ajaq, cerca de 2 mil toneladas de peixe são produzidas por ano no município pelos piscicultores profissionais.

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