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Plano 15: mudança de prioridade no combate aos alagamentos

Cinco anos depois das eleições, propostas foram substituídas por outras ações

Na terceira reportagem da série “Plano 15” o assunto é o combate aos alagamentos. Em 2012, o então candidato Udo Döhler (PMDB) propôs um “grande e definitivo projeto” para a questão das cheias no município e elencou três propostas para combater o problema:

– Aprofundaremos e regularizaremos a calha do rio Cachoeira

– Implantaremos canais para as áreas baixas da cidade

– Criaremos barragens hidráulicas e permitiremos a navegabilidade de rios, como do rio Cachoeira, e outros da região, que poderão servir também como piscinões durante ameaças de enchente.

Cinco anos após as eleições, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura de Joinville, as propostas “somente serão executadas com o suporte de recursos”. A prioridade, de acordo com o executivo, foi fazer projetos das obras de macrodrenagem, que seriam as mais emergenciais.

Para a comerciante Noemi da Cunha, que tem uma loja no Centro da cidade há cerca de sete anos, não houve melhora em relação às cheias. “Isso dá trabalho, dá muito transtorno. Uma vez entrou água e o balcão de madeira inchou, tivemos que mandar fazer tudo com pé alto. A água fica rente à entrada da loja, mas quando os ônibus passam dá onda e a água entra”, explica. “Esse ano encheu de novo e a gente acha que é porque as obras ainda não terminaram, estão bem enroladas”, completa, se referindo às obras de macrodrenagem do rio Mathias, que começaram em 2015 e tem previsão de término no fim de 2018. A obra, orçada em mais de R$ 45 milhões, em convênio com o Ministério das Cidades assinado em 2011, pretende resolver os problemas de enchente na região central da cidade, tanto os causados pela influência da maré quanto pelo excesso de chuvas.

No primeiro caso, quando as cheias são causadas pela influência da maré, o projeto prevê a construção de um muro de contenção para evitar que as águas do rio Cachoeira voltem ao rio Mathias, comportas no encontro entre os rios para evitar a influência da maré, galeria de detenção para drenar a água represada no rio Mathias e uma estação de bombeamento para levar a água da galeria ao rio Cachoeira. No outro caso, quando as enchentes são causadas pelo excesso de chuva, a obra prevê uma galeria de condução, que passaria a receber as águas que antes cairiam no rio Mathias. Segundo a prefeitura, a atual etapa da obra é a canalização de escoamento na rua Otto Boehm. Depois, será feita intervenção para instalação da galeria na rua Visconde de Taunay.

Obras de macrodrenagem do rio Mathias devem ser concluídas no fim de 2018 – Juliane Guerreiro/Paralelo

Para o engenheiro civil e consultor ambiental Robison Negri, a obra deve ter impacto significativo no combate aos alagamentos no Centro de Joinville. “O princípio das obras é de redução de velocidade do fluxo, de contenção de cheias e controle de maré. A lógica conciliar do projeto é bem adequada e o efeito será positivo para a bacia central da cidade”, explica.

Na zona Sul da cidade, os moradores da rua Beirute também aguardam uma solução para os alagamentos. A maioria das casas, construídas em paralelo ao rio Itaum-Mirim, tem adaptações para que a água das cheias não dê prejuízo aos moradores. “Antes eu tinha uma casa mais na frente, mas enchia muito, então eu aterrei. Tem casas na rua que enchem até a janela, as pessoas perdem guarda-roupas, estantes, eu já perdi bastante móvel”, fala Salete Honorato, que mora no local há cerca de sete anos. “No verão, quando enche, quem está trabalhando fica fora e quem está em casa fica isolado”, completa. Valmor José Gomes, morador do local há cerca de 40 anos, já viu as cheias causarem muito prejuízo aos vizinhos. “Se chover, alaga. Já levantamos a garagem por causa disso”, conta.

Moradores reclamam das cheias do rio Itaum-Mirim, na zona Sul de Joinville – Juliane Guerreiro/Paralelo

Segundo a prefeitura, na zona Sul estão previstas obras de macrodrenagem do rio Itaum-Açu com os recursos do financiamento com o BID (Bando Interamericano de Desenvolvimento), assinado em agosto deste ano. O financiamento também inclui microdrenagem no bairro Vila Nova, ampliação da rede de esgotamento sanitário e a instalação do Parque Piraí. “Levamos dois anos pra contratar esses recursos na ordem de 70 milhões de dólares e que vão permitir que a parte mais importante da zona Sul da cidade fique livre das enchentes. Mais adiante as bacias secundárias serão também contempladas”, diz Udo Döhler. O projeto deve ser executado em cinco anos.

De acordo com o prefeito, a navegabilidade do rio Cachoeira, proposta feita em 2012, está praticamente descartada. “São investimentos que reclamam barragens hidráulicas importantes e isso é muito complexo. Seria aplicável de tivéssemos um orçamento confortável para que a gente pudesse explorar os passeios turísticos pelo rio Cachoeira, mas isso deixo de ser prioridade”, explica.

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