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Especialistas listam possíveis causas para a entrada de jovens em facções criminosas

Busca de uma identidade e ofertas atrativas para a realidade desses jovens são principais fatores de entrada em facções, afirmam pesquisadores

“A gente não pode falar, precisa de autorização, e se falar sem autorização, eles vão atrás para descobrir quem falou. Até mesmo quem saiu precisa de autorização para falar”. Com essa justificativa, um dos inúmeros adolescentes envolvidos com as facções criminosas em Joinville se negou a conversar com a reportagem do Paralelo sobre os motivos que o levaram a fazer parte de um dos grupos que hoje disputam territórios de comércio de drogas na cidade mais populosa de Santa Catarina.

Em 2016, das 130 mortes violentas registradas na cidade, 61 vitimaram jovens até os 25 anos de idade. Destes, 40 tinham entre 19 e 25 anos e 20 vítimas não chegaram aos 18. Um dos casos mais emblemáticos de violência contra os jovens na cidade foi o do adolescente Israel Melo Júnior, o Juninho, que foi sequestrado, torturado, morto e decapitado aos 17 anos de idade. Depois de concluídas as investigações, sete suspeitos foram presos e aguardam pelo julgamento. O motivo? Disputa entre duas facções criminosas que atuam na cidade. Ainda no ano passado, Pâmela da Silva Gonçalves, de 14 anos, também foi torturada e morta. Em seu corpo foram encontradas marcas feitas com objetos cortantes. As marcas eram claras e já davam sinal da motivação para o crime. No braço da jovem a inscrição PGC.

Israel Melo Júnior foi assassinado e decapitado em 2016, suspeitos envolvidos com facção aguardam julgamento – Divulgação/Paralelo

Desde 2015, quando a cidade bateu, pela primeira vez, o recorde no número de homicídios, muito se discute e diversas ações foram tomadas pelos órgãos de segurança para frear a violência causada, segundo eles, pela chamada “guerra entre facções”. De um lado, o PCC (Primeiro Comando da Capital), de outro, o PGC (Primeiro Grupo Catarinense), no meio de tudo, os jovens. Além de se tornar quase metade do número de vítimas de mortes violentas na cidade no último ano, esses jovens são também autores de grande parte desses crimes. Na última semana, dois adolescentes de 17 anos foram presos como suspeitos de mais um crime que chocou a cidade: a morte de Alan Rodrigues dos Santos, de 24 anos, decapitado em março. Mais uma vez, a motivação apontada pelos dois jovens foi a disputa entre as facções.

Para Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, existe uma competição entre o tráfico e as instituições que podem auxiliar na construção da identidade dos jovens. “Quando o tráfico de drogas chega, ele assume essa esfera de construção de uma identidade de transição com uma oferta muito atraente. Além da grana e eu nem acho que isso é o principal, há uma promessa de masculinidade, de virilidade. Há um ethos ao consumo, ao status que esse tipo de vida proporciona. Alguns enxergam que existe esse status”, avalia. Para ele, essa transição entre a casa e a rua é a fase mais importante a ser trabalhada e controlada porque é justamente neste ponto que se forma a identidade adulta e vizinhança e controles informais do entorno são muito importantes nessa construção. “O outro grupo oferece uma vida em uma ordem paralela, antissistema, e muitas vezes o jovem tem raiva do sistema, então, essa oferta de soldado do crime é uma ilusão muito atrativa. É uma oferta com a qual a gente está disputando. De um lado ele tem uma vida aparentemente heroica contra uma facção rival, por exemplo, e de outro, a educação, a cultura, o esporte”, explica.

Bruno argumenta que é necessário desconstruir a sedução que o tráfico oferece aos jovens ao criar uma identidade para e com eles e essa é a disputa da sociedade. “Mostrar que essa identidade que parece sedutora em um primeiro momento é, na verdade, uma grande ilusão. Será que só com a prisão e a polícia a gente convence essa molecada que o nosso caminho é o certo? Precisamos lidar com políticas preventivas para atrair o jovem para que ele se torne um adulto cidadão, abrindo janelas, abrindo portas. Mas, por outro lado deve-se trabalhar a segurança pública focada na violência do tráfico”, afirma. Além disso, para ele, é importante que exista comunicação com os jovens onde o tráfico exerce essa forte influência.

Os investimentos em ações repressivas e de combate à violência que foram intensificados há cerca de dois anos são, para Bruno, apenas uma ponta de uma rede que deve ser estabelecida para coibir a violência. “O foco tem que ser inteligente e estratégico para coibir essa violência no tráfico, mais do que combater o tráfico, que a gente já viu ser impossível. A segurança pública também precisa lidar com uma espécie de comunicação com o crime, agir de forma estratégica”, explica. Além de prisões de quem comete homicídios, a interferência no trabalho e no movimento das drogas é fator importante. Para o pesquisador, essa sinalização de que a guerra entre grupos rivais é prejudicial faz com que eles mudem as táticas. “Você tem que pensar com a cabeça deles. Em nível local, isso aconteceu em São Paulo durante um tempo e foi muito impactante no crime. Isso foi importante para a mudança de cabeça”, conta.

Bruno chama a atenção ainda para a necessidade de olhar para outros estados que já passaram por situação semelhante a que Joinville passa hoje, com o aumento da violência e do envolvimento, cada vez mais precoce, de jovens com o tráfico e facções criminosas. “Os jovens de Joinville não mudaram e, se não existissem essas promessas, a maioria seguiria uma vida tranquila. Eles não ficaram malvados do dia para a noite, tem outras ofertas sedutoras que estão oferecendo ilusões”, avalia. Para ele, é preciso que haja um diálogo de força estratégica, mostrando a esses jovens como essa oferta sedutora é uma grande falácia.

O cenário de disputa de território que se desenha em Joinville é, segundo Bruno, propício para que essa linguagem de violência se propague com maior rapidez, sendo potencializada ainda mais por novas ferramentas tecnológicas de comunicação. “É uma disputa por poder nestes contextos de competição no mercado violento. A violência simbólica produz mais violência simbólica. É uma bola de neve sendo potencializada por divulgação em WhatsApp, por exemplo. A crueldade vira uma forma de se comunicar, de se afirmar como poder, como uma facção destemida”, analisa.

E essa “novidade” tem se repetido em diversos lugares, inclusive em Joinville, com a disseminação de imagens de torturas e morte, como aconteceu nos casos dos jovens Juninho e Alan. Assim como aconteceu no início deste ano, quando mortes, decapitações e diversas outras violações foram gravadas e espalhadas Brasil a fora a partir do Norte do país, na cidade catarinense, os casos de decapitação foram filmados e disseminados através do aplicativo WhatsApp e, para o pesquisador do NEV/USP, essas gravações viraram uma espécie de linguagem entre as facções. “A partir do momento que um rival faz, o outro quer fazer pior. Isso é disseminado sem nenhum filtro, é importante pensar sobre isso. Imagina, um moleque vendo isso inserido na cena do crime. O que ele vai fazer com um rival? Esse vídeo já deu a letra. E é uma linguagem nova que a gente não conhecia”, ressalta.

Uma linguagem que é realidade e que possibilita até mesmo que uma rebelião com degola seja acessível. Para Bruno, a sociedade não está preparada para lidar com essa “linguagem do crime”. “É uma coisa arrebatadora e a gente não sabe o que fazer. É um retrocesso de civilização muito chocante, onde alguns limites estão sendo ultrapassados. Por enquanto não se discutiu seriamente como controlar. O mais importante é combater a violência, acima de tudo”, destaca.

“Existe uma parcela da sociedade que quer justamente exterminar esses jovens”, afirma antropóloga

O número de jovens envolvidos com facções criminosas, seja como autores de crimes ou como vítimas deles, tem chamado a atenção em Joinville. Além de, em 2016, os jovens de até 25 anos representarem quase 50% das vítimas de mortes violentas na cidade, a apreensão de pessoas nesta mesma faixa etária envolvidos diretamente em crimes violentos faz com que diversos profissionais que estudam e pensam as relações sociais problematizem os motivos que estão levando a esse envolvimento. Para a antropóloga Maria Elisa Máximo, embora muitas pessoas já estejam em um movimento de pensar caminhos para mudar este cenário, existe uma parcela da sociedade que não vê esses jovens como parte também desta sociedade e deseja que eles sejam eliminados, encarcerados ou colocados, de alguma maneira, sob uma vigilância constante. “A gente tinha que ter um engajamento mais massivo em torno de uma mudança de sistema mais global porque, na verdade, se a gente pensar, a quem interessa esse número super significativo de jovens mortos na periferia? Existe uma elite, existe uma parcela da sociedade que quer justamente exterminar esses jovens. Esses jovens são um estorvo para essa parte da sociedade”, enfatiza.

A antropóloga chama a atenção para o ciclo vicioso desse sistema em que os jovens presos não têm qualquer perspectiva de acesso à justiça de maneira digna e humana e os que estão livres estão morrendo em conflitos que são fomentados pelo próprio sistema, pela própria sociedade. “Eles não estão se matando porque é uma forma de se divertirem. Existe uma força invisível, para eles inclusive, que fomenta esse conflito, que aguça, que atiça, que reduz o espaço aumentando cada vez mais a concorrência entre esses grupos e tornando a vida cada vez mais difícil. A consequência é que cria fatores para que esses conflitos continuem existindo e cada vez mais fortes, mais violentos”, avalia.

Mas, antes de mais nada, Maria Elisa afirma que é necessário analisar e problematizar a própria noção de facção criminosa que, para ela, é um termo pensado e difundido tanto pela mídia quanto dentro do próprio contexto de segurança pública. A antropóloga explica que, quando os jovens começam a participar desses grupos, eles não estão vendo o que, posteriormente, será visto como a facção criminosa. “Quando um jovem entra em um grupo desse ele  não está necessariamente vendo o líder como traficante, assassino, como o criminoso. Ele está vendo como um membro da comunidade, como o amigo, geralmente o guri que cresceu junto com ele, que é vizinho dele. Também é necessário pensar em como se dão as relações de parentesco nessas comunidades, elas se estabelecem de uma maneira diferente, a construção das relações sociais e da própria relação e parentesco são diferentes”, argumenta.

As redes de relação social e a inserção dentro de um grupo onde eles se sentem visíveis também é outro fator imprescindível a ser analisado para entender o contexto de envolvimento dos jovens com facções criminosas. “Eles começam ajudando amigos. Eles entram para esses grupos em um contexto de redes de relação social onde se sentem incluídos, se sentem poderosos, onde eles se sentem percebidos e conseguem construir uma identidade”, explica. Para ela, é preciso pensar nas condições desses jovens que já são marginalizados socialmente, desprivilegiados em todos os aspectos, como os de política de inclusão cultural, econômica, social, escolar. A partir dessas condições, Maria Elisa afirma que, quando aceitos dentro de um grupo, não importa o que esse grupo faça, os jovens enxergam nessa oportunidade uma possibilidade de “ser alguém”. “Eles veem ali uma possibilidade de produzir relações, de participar de relações e de serem percebidos na sua singularidade. Eles ganham um apelido, eles ganham funções, eles desempenham papéis. Tudo aquilo que todo o resto da sociedade não faz por eles”, completa. Além disso, ela chama a atenção para os envolvidos nesse sistema do tráfico de drogas que, na visão da antropóloga, é muito complexo e com diversos interesses envolvidos. Para Maria Elisa, o tráfico nas periferias não serve a elas e sim à classe média que consome o produto vendido ali.

Embora a criação de políticas públicas voltadas para os grupos de juventude seja essencial para minimizar os efeitos e as possibilidades de entrada desses jovens nas facções criminosas, a antropóloga afirma que elas não são suficientes. A descentralização de opções culturais, de lazer e esporte, o envolvimento das famílias com as escolas e a aproximação dos serviços de assistência social são algumas das ações que poderiam ser efetivadas, porém, para ela ainda é necessário ir além. “Por que não é suficiente? Porque esses grupos já estão formados e são muito fortes. O jovem entra e não vê o traficante, então quando as políticas públicas chegam nessas regiões elas podem levar o mesmo grupo para os diferentes espaços. O grupo é o mais difícil de se desfazer. Não sou especialista em segurança pública, mas acho que o que se pode pensar deste ponto de vista é desmobilizar o que é central naquele grupo, que é o crime, a questão da droga e isso implica em desmobilizar o topo dessas cadeias, onde geralmente não se toca. Aí voltamos ao problema das diferenças de classe, dos privilégios. Existem grupos privilegiados subsidiando essas facções criminosas e onde ninguém está mexendo”, analisa.

O diálogo com esses grupos é, para Maria Elisa, um caminho possível e até mesmo um dos ideais. Porém, para ela, esse diálogo não partirá do poder público. “Dialogar significa estar disposto ao outro, é uma troca, é reconhecer nele a legitimidade. Eu acho que isso deve ser construído ou enfrentado, esse tipo de saída teria que vir a partir de um super enfrentamento com a população ou a partir de uma construção sistemática, gradual junto a população”, afirma.

Para a antropóloga, a falta de efetividade de ações que trabalhem especificamente com os jovens tornando pouco atrativo o ingresso em facções criminosas se dá graças ao perfil de Joinville que, para ela, é uma cidade muito apartada. “Em Joinville você tem a elite habitando uma parte mais central da cidade e totalmente alheia à vida na periferia. Esse abismo que existe em diferentes partes da cidade ajuda muito para a manutenção dessas situações”, avalia.

“A sociedade de Joinville tem um discurso muito pesado de que algumas vidas valem a pena e outras são descartáveis”, avalia psicólogo

Psicólogo no Capsi (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil) e coordenador do Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Bráz, Nasser Haidar Barbosa, é crítico ao analisar o comportamento dos joinvilenses em relação ao grande número de jovens mortos e envolvidos com facções criminosas nos últimos anos. Para ele, os jovens que moram nas regiões periféricas da cidade e onde a presença dessas organizações é mais forte, são vistos como números apenas. “São todos filhos de proletários, só servem para fazer número na produção. Essa nossa sociedade de Joinville tem esse discurso muito forte e pesado de que algumas vidas valem a pena, outras são bem descartáveis mesmo”, ressalta.

Alan Rodrigues dos Santos, de 24 anos, foi decapitado em março deste ano. Dois adolescentes foram presos e alegaram disputa entre facções como motivação para o crime – Divulgação/Paralelo

Nasser trabalha diretamente com os jovens e relata que todos eles sejam encaminhados do Conselho Tutelar, ou da Justiça, embora não cheguem ao Capsi com esse encaminhamento específico, possuem algum envolvimento com facção. “É redundante falar que eles têm envolvimento com facção”, diz. O psicólogo explica que, nas condições em que esses jovens se encontram, excluídos de todo tipo de acesso, o tráfico se apresenta como uma real possibilidade de ascensão social. Uma possibilidade de sair de uma condição de miserabilidade. “Não são todos que vivem em uma condição tão precária? Não, não são todos, mas aí tem outras precariedades, de cultura, de lazer, que sejam mais atrativas do que se vincular a uma facção. É uma competição muito desleal e a gente não consegue apresentar nada tão atrativo para eles”, afirma.

Para ele, o discurso de que a juventude é uma parcela peculiar no que diz respeito a buscar grupos é irreal porque, a busca por inserção em grupos comum é inerente a todo ser humano, é natural a todos. “A gente busca o tempo todo estar com algum grupo, se inserir em algum grupo, estar com outras pessoas. Essa é uma fase mais vulnerável porque é quando a gente começa a expressar mais os nossos desejos próprios, é quando nos desvinculamos do desejo da mãe e já conseguimos expressar a nossa personalidade e os jovens encontram nesses grupos uma boa opção para se vincular, porque dá dinheiro, porque tem espaço e mexe com a questão da própria afirmação, da masculinidade, de um lugar de respeito”, analisa.

Segundo Nasser, é necessário agir de forma inteligente para combater o avanço das facções e da violência trazida por elas e o diálogo com esses grupos é um caminho com prós e contras. “Um dos prós de reconhecer as facções é que você pode realmente negociar, pode estabelecer limites, criar um contexto onde pelo menos quem não quer mais fazer parte disso possa ser poupado. Um grande problema disso é que você empodera. Mas, a gente está perdendo tão feio que eu aceito empoderar para poder salvar”, avalia. O psicólogo tem projetos para iniciar, de fato, uma comunicação com as facções criminosas com o objetivo de criar campos neutros. “Eu quero me envolver, conhecer e conversar, tentar fazer com que as medidas socioeducativas sejam campos neutros, para que eles possam frequentar os nossos serviços”, explica. “Tem um limite para quantos adolescentes a gente pode perder. O que está acontecendo é um extermínio e o perfil é o mesmo”, completa.

Assim como para o pesquisador Bruno Paes Manso, para Nasser a exposição da violência através da tecnologia da comunicação é um fator novo e que precisa ser tratado com cuidado. “Essa violência toda se insere em um mundo de sinais e símbolos. ‘Eu estou te dizendo que esse é o meu território e neste território as coisas funcionam desta forma’. Mas, também acho que nem todos são capazes deste tipo de atitude e precisamos cuidar com isso ou cairemos na impressão de que todo moleque que se envolve com facção tem potencial para sair decapitando e torturando pessoas e não é assim. É o que alimenta parte desse ódio contra a juventude, esse desejo de punir”, ressalta.

Para Nasser, o trabalho realizado hoje tem uma lógica totalmente invertida, onde se investe em possíveis soluções imediatas. “Esse sistema não apenas não está funcionando como alimenta as facções”, afirma. Ele acredita que é necessário que a sociedade, através de lideranças comunitárias e alguns órgãos e equipamentos públicos, crie redes que funcionem autonomamente e focadas no problema, pensando em atuar em diferentes frentes para tornar o “nosso outro lado” atrativo para os jovens. “A competição é desleal e a gente precisa de muita coisa para pescar o maior número possível. Resolver o problema com isso a gente não vai. Para resolver o problema a gente sabe que é necessário inverter essa lógica do que estamos fazendo, agora, amenizaria e poderia conter o avanço, sem dúvida”, finaliza.

Para magistrado “Estado se omite e crime se aproveita”

O juiz Márcio Renê Rocha, da Vara da Infância e Juventude de Joinville, atua há cinco anos diretamente com adolescentes e jovens, inclusive com aqueles envolvidos com crime e facções criminosas. Para ele, o aumento da criminalidade entre esses adolescentes é visível, visto que, no passado, os jovens cometiam atos infracionais leves, como pequenos furtos. “Atualmente, 90% dos casos envolvendo adolescentes são de crimes graves, como assalto a mão armada, latrocínio e tráfico de drogas, por exemplo, e isso decorre da atuação das facções criminosas”, afirma.

O magistrado acredita que a entrada dos jovens nesses grupos se dá por uma série de fatores. “Começa em casa, com uma família desestruturada e carente em todos os sentidos e uma educação deficiente e nada abrangente. Soma-se a isso a ausência do Estado. Então, as facções atraem os jovens com ‘dinheiro fácil’ e ostentação”, avalia. Para o juiz, além disso, as facções “se aproveitam” de uma propaganda enganosa que transmite a impressão de impunidade. “A consequência é uma briga por território, razão pela qual cada uma das facções procura demonstrar, de todas as maneiras possíveis, o seu ‘poder’”, completa.

Para o juiz, é dever do Estado garantir o básico. “Além de garantir que a família de todos, sobretudo os mais carentes, possa viver com dignidade. Há exceções, mas o menino pobre que vê faltar tudo em casa é uma presa fácil para uma facção. O Estado se omite e o crime se aproveita”, enfatiza.

De acordo com o magistrado, os jovens que entram para esse “mundo” não têm clara a percepção de que esse caminho termina rápido. “A maioria dos que passaram pela Vara da Infância e Juventude estão presos ou mortos”, diz. E para ele, o caminho para reverter esse quadro é a educação.

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